segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Papa pede orações para semana de retiro espiritual

Bento XVI, no Angelus: "Quaresma, tempo propicio para reforçar a nossa relação com Deus."

Vaticano, 26 -  A tentação de remover Deus, de sozinhos meter ordem em nós mesmos e no mundo, contando apenas com as própria forças, está sempre presente na historia do homem. Afirmou o Papa antes da recitação do Angelus deste domingo comentando o trecho evangélico de Jesus tentado por Satanás no deserto.
Um lugar, o deserto, - disse Bento XVI aos milhares de pessoas congregadas na Praça de S. Pedro que pode indicar o estado de abandono e de solidão, o lugar da fraqueza do homem onde não existem apoios e seguranças, onde a tentação se faz mair forte.
Mas o deserto – acrescentou o Papa – pode indicar também um lugar de refugio e de abrigo, como o foi para o povo de Israel que fugira da escravidão do Egipto, onde se pode experimentar de maneira particular a presença de Deus.
O episodio Evangélico, para Bento XVI ensina que o homem nunca está completamente isento da tentação até que vive, mas é com a paciência e com a verdadeira humildade que nos tornaremos mais fortes do que qualquer inimigo.
“A paciência e a humildade de seguir dia após dia o Senhor, aprendendo a construir a nossa vida não fora dele ou como se Ele não existisse, mas nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida.
Com o convite a ter fé em Deus e a converter cada dia a nossa vida á sua vontade, orientando para o bem todas as nossas acções e pensamentos, Bento XVI sublinhou depois que o tempo da Quaresma é o momento propicio para renovar e tornar mais sólida a nossa relação com Deus, através da oração diária, dos gestos de penitencia, das obras de caridade fraterna.
A concluir o Papa pediu a Maria Santíssima que acompanhe o nosso caminho quaresmal com a sua protecção e nos ajude a imprimir no nosso coração e na nossa vida as palavras de Jesus Cristo para nos converter a Ele. E confiou á oração de todos a semana de Exercícios espirituais que esta tarde vai iniciar com os seus colaboradores da Cúria Romana.
O pregador dos exercícios espirituais da Quaresma em que o Papa e a Cúria Romana vão participar é o cardeal africano D. Laurent Monsengwo Pasinya, de 72 anos.
O arcebispo de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, foi escolhido devido ao seu compromisso com a paz no país e por ter sido uma voz importante na defesa dos direitos humanos.
"A comunhão do cristão com Deus" vai ser o tema das pregações deste especialista na Bíblia que em 2008 foi secretário especial do Sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus, e que em novembro de 2010 foi criado cardeal por Bento XVI.
Durante o período dos exercícios espirituais da Quaresma, de 26 de fevereiro a 3 de março, estão suspensas todas as atividades do Papa, incluindo a audiência geral de quarta-feira, dia 29.
RV, 26/02/2012

Campanha de solidariedade pelos cristãos perseguidos

Campanha de solidariedade pelos cristãos perseguidos


Paris, França, 26 fev (SIR) – “Quarenta dias de compaixão através do mundo”: é assim que se chama a nova campanha de solidariedade com os cristãos perseguidos no mundo, lançada durante este tempo da Quaresma pela seção francesa da Ajuda à Igreja que Sofre (Aed-France).
A idéia é de apoiar com a oração todos aqueles cristãos que enfrentam perseguições por causa de sua fé, em particular aqueles dos quais não fala, “para que – explica o site citado pela agência Apic – o sofrimento deles deixe espaço à esperança e possam receber a graça de viver dias melhores”. A campanha permitirá aos que aderem também se informar melhor sobre as perseguições anticristãs em ato em várias partes do mundo.
O objetivo é criar uma comunidade de oração de 20 mil fiéis que insiram em suas orações os cristãos perseguidos em 40 Países. Para aderir à comunidade de oração é suficiente dar o próprio nome e endereço e-mail no link “Dia, País e Oração” da página que permitirá receber todos os dias uma intenção de oração pelos cristãos perseguidos num determinado País. Ainda, é possível inserir uma ou duas orações num Mural virtual de partilha (Mur de Partage) formado por cristãos em dificuldades.
Toda vez que é postada uma oração a fotografia vai se iluminar e sendo maior o número das pessoas que se associam a esta oração mais a fotografia adquirirá visibilidade no mural. A oração que tiver obtido maiores adesões será lida na Noite dos Testemunhos, uma noitada organizada para o próximo dia 25 de maio na Catedral de Notre-Dame de Paris e que será antecedida por uma celebração eucarística.

Meios para maior leveza e agilidade nas instituições. Seminário da CRB

A busca de maior leveza e agilidade nas instituições foi o tema de destaque no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, neste sábado, 25. O evento promovido pela CRB Nacional - Conferência dos Religiosos do Brasil, reúne desde o dia 23, mais de 400 religiosos e religiosas do país, em Itaici, Indaiatuba- SP.


Irmão Afonso Murad (Foto: CRB)
O tema foi abordado pelo Irmão Afonso Murad, marista, da Equipe de Reflexão Teológica da CRB, que iniciou a sua exposição com a exibição de um vídeo sobre a história de superação de Diego, um menino cego que escreveu em braille, uma redação sobre as cores das flores, com sua máquina de escrever.

Iluminado por essa história, Irmão Murad apresentou alguns meios para diminuir o peso das Instituições que, segundo ele, encontram-se engessadas. “A vida adulta inclui os dois lados: a leveza e a carga, desafios que devemos assumir. O problema é quando isso fica desequilibrado e o peso é maior”, explicou ao apontar a necessidade de eliminar pesos inúteis, mas também “aprender a lidar com aqueles pesos que ainda não convém abandonar e acolher as cargas que fazem parte da existência pessoal e comunitária”, destacou.

Para avaliar pesos inúteis, o assessor propôs textos bíblicos lembrando que “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres”. Nesse processo, segundo Murad, é importante enfrentar os desafios juntos. Existem cruzes na vida do povo que precisam ser tiradas, mas “sempre que entramos em processos de mudanças temos resistências”, alertou para, em seguida apresentar uma lista de pesos institucionais: “máquina burocrática com muitas estruturas; concentração do poder que afeta as relações interpessoais; excesso de obras e poucas pessoas; atitudes de negativismo, pessimismo; envelhecimento e perda de energia”.

Leveza e agilidade nas estruturas de governo que inclui uma revisão na quantidade e qualidade das reuniões, descentralizar as decisões e responsabilidade, abrir as instituições para a participação dos leigos e profissionais e aprender com congregações que já fizeram as mudanças, são, segundo Irmão Murad algumas das soluções.

Historicamente, com a expansão das obras criaram-se divisões jurídicas em Províncias ou Regiões. “Hoje, com a diminuição de pessoal é preciso enfrentar a redução também das Províncias e rever a prática de comunicação para manter vivo o carisma e a unidade”, explicou ao destacar a importância de se fazer uma gestão dinâmica e mais profissional das instituições.

Sobre a concentração de poder que traz cansaço, desmotivação e repetição, Murad afirmou que isso faz mal tanto para quem manda quanto para os que (des)obedecem além de afetar a vitalidade do carisma. “É necessário investir em novas lideranças. Há casos difíceis de solucionar, reis e rainhas que não soltam a coroa”.

Por fim, falou do envelhecimento e da doença na Vida Congada ressaltando a necessidade de cuidar com carinho dessas pessoas. “Precisamos compreender que ninguém é obrigado a ser leve, mas temos uma oportunidade de melhorar a nossa forma de viver com mudança e conversão para ser mais feliz e alegre. A insegurança gera dureza, a liberdade interior gera leveza e itinerância”, concluiu.

Na sequência, a Equipe de Reflexão Psicológica apontou estruturas pessoas e interpessoais que pesam. Padre Deolino Baldissera, sds, teceu considerações sobre as estruturas pessoais e interpessoais pesadas. O psicólogo destacou três critérios para compreender as pessoas: “examinar o nível de contentamento pessoal; a qualidade das relações com os outros e a qualidade com que a pessoa assume as próprias responsabilidades”.

Segundo padre Deolindo, é possível observar a intensidade dos conflitos nas pessoas através da capacidade que elas têm de fazer a experiência de Deus, estabelecer as relações interpessoais, de estudar e trabalhar. O religioso apontou ainda algumas características que ajudam a perceber quando um indivíduo é mais ou menos saudável. “E isso se refletirá na maior ou menor leveza no exercício de suas funções. Quanto mais saudáveis, mais propensos à leveza”.

Irmã Fátima Moraes, ascj, que também integra a equipe de psicólogos, mostrou as características de uma pessoa pesada. Segundo ela, “essa liderança é rígida com o outro que é visto como uma ameaça e, isso bloqueia a dinâmica da comunidade. O maior peso vem do infantilismo e de coisas insignificantes”.

A pessoa pesada acumula o peso em sua jornada como “dores, mágoas, ressentimentos, o que dificulta a caminhada. Fixa-se em detalhes e não consegue dar passos. É uma pessoa tensa, agitada e desconfiada. São pessoas cansadas, tristes e sujeitas a doenças psíquicas”, alertou. Para a religiosa, a pessoa que é pesada interfere nas relações interpessoais.


Participantes do Seminário sobre a Vida Consagrada destacam a relevância dos temas debatidos no evento
No período da tarde aconteceu a Assembleia Geral Ordinária da CRB, no contexto da temática debatida no Seminário.

De acordo com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), há uma conformação por parte da VRC com o mundo e ao confrontar essa realidade com o Evangelho, constata-se que Jesus Cristo não é uma conformação, mas uma transformação. É sobre essa questão que se embasa a opção pela temática. Para Frei Moacir Casagrande, assessor da Equipe Bíblica da CRB, a loucura significa dar a vida para o outro ao invés de tomá-la para si. “Essa é a loucura de Deus, Ele se entrega e quer apenas que entremos na dinâmica dele”, finaliza.

Para os organizadores do Seminário, a Vida Consagrada não pode perder a sua essência que consiste na doação total de si, a exemplo de Jesus Cristo. A leveza é necessária para caminhar e “poder chegar até o fim”, enfatiza Casagrande. No decorrer do Seminário, após cada intervenção dos assessores, a assembleia faz ressonância do tema em pequenos grupos. Essa é uma oportunidade para reagir e apresentar sinais de estruturas que dificultam ou facilitam a vida e a missão das congregações. “Mas a gente percebe que o mais importante é rever o próprio coração e as estruturas internas que precisam ser renovadas”, diz Irmã Helena Petri, Provincial da Congregação das Missionárias Agostinianas Recoletas.

A consciência de que é necessário rever a prática das instituições, formas de lideranças, realidades que não eram vistas, são apontadas pelos participantes como fatores positivos na avaliação. Além disso, para Padre Adalto Chitolina, SCJ, a possibilidade de enfocar os assuntos sob ângulos diferentes, teológico, psicológico, bíblico e missionário “ajuda a compreender que, as questões levantadas não se resumem apenas num aspecto, mas tem várias abrangências”, comenta.

Essa busca de uma maior leveza no ser e agir, nas relações comunitárias, na missão e nas obras, é uma busca comum. “Aqui percebermos que os problemas e as alegrias são visíveis em todas as congregações”, comenta Padre Lino Baggio, provincial dos Padres Palotinos. “O tema não vai ficar apenas com as pessoas que estão aqui, eles vão ser repassados para os regionais, as comunidades e congregações”, observa Irmã Solange Damião,CRSD, Presidente da CRB Regional de Belo Horizonte – MG, e destaca a necessidade de dar prosseguimento às discussões realizadas no Seminário.

sábado, fevereiro 25, 2012

Textos da Liturgia 26/02/2012 - 1°. Domingo da Quaresma

A RESTAURAÇÃO DA HUMANIDADE EM CRISTO E O BATISMO

1ª leitura: (Gn 9,8-15) Dilúvio e aliança com a humanidade – O dilúvio é o símbolo do juízo de Deus sobre este mundo. Mas repousa sobre este também sua misericórdia, simbolizada pelo arco-íris. Deus faz uma aliança com Noé e sua descendência, isto é, a humanidade inteira. Apesar do mal, Deus não voltará a destruir a humanidade. É significativo que esta mensagem foi codificada no tempo do declínio do reino de Judá! A fidelidade de Deus dura para sempre. * 9,8-11 cf. Gn 6,18; Os 2,20; Is 11,5-9; 54,9-10; Eclo 44, 18[17b-18]; Rm 11,29 * 9,12-15 cf. Ez 1,28; Ap 4,3.

2ª leitura: (1Pd 3,18-22) Dilúvio e batismo – 1Pd caracteriza-se por seu teor de catequese batismal. O batismo inclui a transmissão de credo. 1Pd 3,18–4,6 contém os elementos do primitivo credo: Cristo morreu e desceu aos infernos (3,18-19), ressuscitou (3,18.21), foi exaltado ao lado de Deus (3,22), julgará vivos e mortos (4,5). Tendo ele trilhado nosso caminho até a morte, nós podemos seguir seu caminho à vida (3,18). O batismo, antítipo do dilúvio, purifica a consciência e nos orienta para onde Cristo no precedeu. * 3,18 cf. Rm 5,6; 6,9-11; Is 53,11; Rm 1,3-4 * 3,20 cf. Gn 6,8–7,7; 2Pd 2,5–3,21 cf. Rm 6,4; Cl 2,12-13 * 3,22 cf. Ef 1,20-21; Cl 1,16-18.

Evangelho: (Mc 1,12-15) Tentação de Jesus no deserto e começo de sua pregação – O batismo de Jesus, sua “provação” no deserto e o fim do ministério do Batista significam o fim da preparação de Jesus. Aproxima-se a grande virada do tempo: Jesus anuncia a boa-nova do Reino de Deus. – A tentação no deserto transforma-se em situação paradisíaca: Jesus é o novo Adão, vencedor da serpente. Seu chamado à conversão é um chamado à fé e à confiança. * 1,12-13 cf. Mt 4,1-11; Lc 4,1-13; Is 11,6-9; Sl 91]90],11-13 * 1,14-15 cf. Mt 4,12-17; Lc 4,14-15; Gl 4,4; Rm 3,25-26.

***

O mal tem muitas faces e, além disso, uma coerência interior que faz pensar numa figura pessoal, embora não identificável no mundo material. Chama-se “satanás”, o adversário; ou “diabo”, destruidor. Está presente desde o início da humanidade. As águas do dilúvio representavam, para os antigos, um desencadeamento das forças do mal. Mas quem tem a última palavra, na criação, é o amor de Deus. Deus não quer destruir o homem, ele impõe limites ao dilúvio e não mais voltará a destruir a terra (1ª leitura). No fim do dilúvio, Deus repete o dia da criação, em que ele venceu o caos originário, separou as águas de cima e de baixo e deu um lugar ao homem para morar. Faz uma nova criação, melhor que a anterior, pois acompanhada de um pacto de proteção. O arco-íris, que no fim do temporal nos alegra espontaneamente, é o sinal natural desta aliança. Oito pessoas foram preservadas, na arca de Noé. Elas serão, graças à aliança, o início de uma nova humanidade.

Deus oferece novas chances. Incansavelmente deseja que o ser humano viva, mesmo sendo pecador (cf. Ez 18,23). Sua oferta tem pleno sucesso com Jesus de Nazaré. Este é verdadeiramente seu Filho (Mc 1,11). Impelido por seu Espírito, enfrenta no deserto as forças do mal – Satã e os animais selvagens –, mas vence, e os anjos do Altíssimo o servem (evangelho). Vitória escondida, como convém na 1ª parte de Mc. Nos seus 40 dias de deserto, Jesus resume a caminhada do povo de Israel e antecipa também seu próprio caminho de Servo de Javé. Por sua fidelidade na tentação, alcança um novo paraíso. Nas próximas semanas, o acompanharemos em sua subida a Jerusalém, obediente ao Pai. Será a verdadeira prova, na doação até a morte, morte de cruz. E “por isso, Deus o exaltou”... (cf. Fl 2,9).

Jesus, porém, não vai sozinho. Leva-nos consigo. Ele é como a arca que salvou Noé e os seus através das águas do dilúvio. Com ele somos imersos no batismo e saímos dele renovados, numa nova e eterna Aliança. Ao fim da Quaresma, serão batizados os novos candidatos à fé. A imagem da arca, apresentada pela 2ª leitura, está num contexto que menciona os principais pontos do credo: a morte de Cristo e sua descida aos ínferos (para estender a força salvadora até os justos do passado); sua ressurreição e exaltação (onde ele permanece como Senhor da História futura, até o fim). Batismo é transmissão da fé.

Portanto, a liturgia de hoje é como o início de uma grande catequese batismal, e isso mesmo é o sentido da Quaresma: prepararmo-nos para o batismo, que é a participação na reconciliação que o sacrifício de Cristo por nós operou (cf. Rm 3,21-26; 5,1-11; 6,3; etc.). Mergulhar com ele na provação que nos purifica. Também os que já foram batizados participam disso, pois, enquanto não tivermos passado pela última prova, estamos sujeitos a desistências. Mas, como à humanidade toda, no tempo de Noé, também a cada um, batizado ou não, Deus dá novas chances: eis o tempo da conversão. Nisso consiste a expressão de seu íntimo ser, que é, ao mesmo tempo, bondade e justiça: “Ele reconduz ao bom caminho os pecadores, aos humildes conduz até o fim, em seu amor” (salmo responsorial). Por essa razão, todos os batizados renovam, na celebração da Páscoa, seu compromisso batismal.

Anima a liturgia de hoje um espírito de confiança. Ora, confiança significa entrega: corresponder ao amor de Deus por uma vida santa (oração do dia). Claro, devemos sempre viver em harmonia com Deus, correspondendo a seu amor, como num novo paraíso. Na instabilidade da vida, porém, as forças do mal nos surpreendem desprevenidos. Mas a Quaresma é um “tempo forte”, e neste devemos aplicar a nós mesmos a prova do nosso amor, esforçando-nos mais intensamente por uma vida santa.


QUARESMA, REGENERAÇÃO

Celebramos o 1º domingo da Quaresma. Muitos jovens nem sabem o que é a Quaresma. Nem sequer sabem o que significa o Carnaval, antiga festa do fim do inverno no hemisfério norte, que, na Cristandade, tornou-se a despedida da fartura antes de iniciar o jejum da Quaresma...

A Quaresma (do latim quadragesima) significa um tempo de quarenta dias vivido na proximidade do Senhor, na entrega a ele. Depois de batizado por João Batista no rio Jordão, Jesus se retirou no deserto de Judá e jejuou durante quarenta dias, preparando-se para anunciar o Reino de Deus (evangelho). Vivia no meio das feras, mas os anjos de Deus cuidavam dele. Preparando-se desse modo, Jesus assemelha-se a Moisés, que jejuou durante quarenta dias no monte Horeb (Êx 24,18; 34,28; Dt 9,11 etc.), a Elias, que caminhou quarenta dias alimentado pelos corvos até chegar a essa montanha (1Rs 19,8). O povo de Israel peregrinou durante quarenta anos pelo deserto (Dt 2,7), alimentado pelo Senhor.

Na Quaresma deixamos para trás as preocupações mundanas e priorizamos as de Deus. Vivemos numa atitude de volta para Deus, de conversão. Isso não consiste necessariamente em abster-se de pão, mas sobretudo em repartir o pão com o faminto e em todas as demais formas de justiça – o verdadeiro jejum (Is 58,6-8). A Igreja viu, desde seus inícios, nos quarenta dias de preparação de Jesus uma imagem da preparação dos candidatos ao batismo. Assim como Jesus depois desses quarenta dias se entregou à missão recebida de Deus, os catecúmenos eram, depois de quarenta dias de preparação, incorporados em Cristo pelo batismo, para participar da vida nova. O batismo era celebrado na noite da Páscoa, noite da Ressurreição. E toda a comunidade vivia na austeridade material e na riqueza espiritual, preparando-se para celebrar a Ressurreição.

A meta da Quaresma é a Páscoa, o batismo, a regeneração para uma vida nova. Para os que ainda não receberam o batismo – os catecúmenos –, isso se dá no sacramento do batismo na noite pascal; para os já batizados, na conversão que sempre é necessária em nossa vida cristã: daí o sentido da renovação do compromisso batismal e do sacramento da reconciliação neste período. É nesta perspectiva que compreendemos também a 1ª e a 2ª leitura, que nos falam da purificação da humanidade pelas águas do dilúvio e do batismo.

(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB  e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total).

A identidade da Vida Consagrada. Seminário da CRB

Evento promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB, reúne em Itaicí, Indaiatuba, SP, cerca de 400 religiosos e religiosas de todo o país e tem como tema “A loucura que Deus escolheu para confundir o mundo”.


Pe. Carlos Palácio (Foto: CRB)
“Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?”, perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. “Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas”, afirmou.

Segundo padre Palácio, “não faltam motivos para nos sentirmos cansados”, contudo, “a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa”. Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. “É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades”. E acrescentou: “gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições”.

Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. “Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade”, destacou.

Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.

Nesse sentido “o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar”, afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.

A Missão
“A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida”, argumentou.

Padre Palácio destacou ainda que, “a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada”. Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. “Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente”, sublinhou.

O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante’: “Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?”, foram alguns das perguntas colocadas. “A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas”, concluiu.

Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convicção.

“A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade”, destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, “vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado”.

Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. “Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados”.

Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. “O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão”, argumentou.

O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília – DF.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Noticia

Psicóloga é obrigada a negar a fé cristã


Curitiba, 20 fev  - Segundo a denúncia do site Nação Pró-família o CRP (Conselho de psicologia) do Paraná deu um prazo de 15 dias para que a psicóloga Marisa Lobo tire das redes sociais toda mídia que a vincule a sua fé Cristã ameaçando-a de cassação.
A psicóloga cristã Marisa Lobo publicou uma imagem sua em frente ao Conselho Regional de Psicologia do Paraná lendo uma Bíblia, enquanto aguardava para ser ouvida pelas fiscais do CRP deste estado, e afirmou na rede social que estava lendo "seu manual de ética" enquanto aguardava. A foto virou motivo de escândalo e Marisa recebeu ultimato do Conselho para que retire de seus perfis em mídias sociais toda e qualquer menção à sua crença pessoal de fé.
 Caso a psicóloga se negue a fazê-lo terá seu registro profissional cassado. As denúncias contra ela teriam sido feitas por ativistas homossexuais e outros favoráveis à legalização das drogas. A psicóloga cristã preside o movimento "Maconha Não" que é um movimento criado para lutar contra a legalização da Maconha e de quaisquer outras drogas ou substâncias psicoativas que venham prejudicar a saúde mental, física e social do ser humano.
O movimento conta com o apoio de deputados federais de todo o país. Segundo as duas fiscais que receberam Marisa Lobo, a sua postura de declarar-se psicóloga e cristã, assumindo-a nas redes sociais, além dos seus questionamentos ao conteúdo do polêmico kit gay que seria distribuído nas escolas públicas do Brasil, supostamente feriam o conselho de psicologia por estar "induzindo pessoas a posições contrárias ao homossexualismo e a convicções religiosas".
"Sobre a mesa colocaram Xerox de recados de twitter, o que me deixou indignada, como poderia estar sendo chamada para discutir ética, por denúncias de ateus, militantes gays, canabistas sem base le gal alguma e que claramente me perseguem pelas minhas posições de direito de professar minha fé", relata Marisa. "Me senti perseguida, ouvi coisas absurdas, uma pressão psicológica que se eu não tivesse sanidade mental, teria me acovardado e desistido de minha fé", partilhou.
"Tentaram o tempo todo me vincular a homofobia, deixei claro que processaria todos eles, pois não sou homofóbica, nunca agredi ninguém apenas tenho minhas opiniões, que foram claramente negadas a mim pelas fiscais, me senti tolhida em meu direito de liberdade de expressão." Segundo recolhe Nação Pró-família, as autoridades do CRP-PR disseram à psicóloga coisas como:

"Você não tem o direito, não pode se dizer Cristã e psicóloga ao mesmo tempo é ferir o código de ética."

"Você não pode dizer que Jesus cura, sendo psicóloga".

"Você não pode se dizer psicóloga e cristã, guarde sua fé pra você, não tem direito de externar para mídia".

"Você não pode dar declarações que induza pessoas a acreditar que seu Deus cura, como faz em seus sites e blogs."

"Quando questionei que estavam me pedindo para negar Deus se quiser continuar exercendo minha profissão, elas se olhavam, e diziam: Não é isso, você pode ter sua fé mas não pode externar, guarde pra você, pois está induzindo pessoas a acreditarem em você pela sua influência", relata Marisa.

"Deixei claro que não uso a religião para tratar meus pacientes, não tenho nenhuma reclamação em 15 anos no conselho, eles sabem disso. Então não estava entendendo, porque tanto código de ética. Se com meus pacientes nunca cometi um erro".

"Sou uma cidadã livre, a constituição me dá esse direito de professar minha fé, fora do meu consultório" mas "como psicóloga não"", destacou Marisa.

"Quando disse que então seria cassada, pois não negaria minha Fé, uma delas que disse: "Você não precisa ser cassada pode abandonar a psicologia"".

Marisa disse que não abandonaria sua profissão e recebeu do conselho a seguinte ordem: "então deixe de falar de seu Deus de sua fé."

"Eu enfrentei e disse vamos para o enfrentamento e cassação", disse a psicóloga cristã.

Marisa Lobo afirmou que tem 15 dias para tirar das redes sociais tudo que a vincule à religião, mas já avisou: "Não nego minha fé".
SIR/ACI, 20/02/2012

Comentários


Angela Inês Castro de Aguiar | 22/02/2012 09:15
Parabens, Marisa estou com você, não negue sua fé jamais, Deus é maior que essas fiscais preconceituosas, quem deveria ser cassada é estas fiscais que esquecem que vivem em um pais democratico. como elas falam de psicologia sem respeitar a liberdade das pessoas, como ser fiscal de psicologia sem ética. Marisa continue firme porque a psicologia sem a fé é uma obra morta. A psicologia e a fé unidas é fazem as pessoas crescerem, claro que o terapeuta não induz ninguem a nada muito menos a um seguimento religioso seja ele qual for, mas o terapeuta tem direito de expressar sua fé sim, principalmente fora do consultorio. Marisa força que Deus te abençõe e te guarde, não desista nem da sua fé e nem da psicologia pois você é um instrumento de Deus no resgate da vida e da dignidade. um grande abraço. que Deus te proteja sempre.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

noticas

Livro explica aspectos jurídicos de acordo entre Brasil e Vaticano


Brasília, 13 fev - O presidente do Senado, José Sarney, participou na noite de quinta-feira, 9, do lançamento do livro Acordo Brasil-Santa Sé Comentado.
A cerimônia de lançamento ocorreu no Salão Nobre do Senado. Coordenado por dom Lorenzo Baldisseri e por Ives Gandra Filho, o livro traz textos explicativos sobre o acordo assinado pelo papa Bento XVI e o então presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, em 2008. Ives Gandra Filho, que também é ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), disse que o desafio na produção do livro foi fazer o levantamento dos aspectos jurídicos do acordo.
O ministro agradeceu aos artífices do acordo e a todos os colaboradores do livro. Ele ainda elogiou a vontade política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o acordo se concretizasse. Dom Lorenzo Baldisseri agradeceu a cessão do Salão Nobre para a cerim?nia de lançamento do livro e disse que a obra é de interesse de advogados, estudantes e profissionais que lidam com relações internacionais. Ele destacou que o acordo abre horizontes de cooperação entre o Brasil e a Santa Sé. Na visão de dom Lorenzo, o lançamento do livro também é uma forma de despedida, já que nesta semana volta para o Vaticano, para assumir o cargo de secretário para a Congregação dos Bispos. “O coração está partido, mas voltar à terra natal também traz alegria”, declarou dom Lorenzo, que está completando 39 anos fora da Itália, prestando serviços à Igreja Católica. Sarney disse que era uma honra para o Senado receber o lançamento do livro sobre o acordo Brasil-Santa Sé.
O presidente elogiou o trabalho e a persistência de dom Lorenzo na realização do livro e na luta pelo acordo. De acordo com Sarney, o acordo evidencia um "laicismo positivo". O lançamento foi acompanhado por senadores; minist ros do Supremo Tribunal Federal (STF); e pelo o arcebispo-emérito de Brasília, José Freire Falcão; do secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, além padres e freiras.