domingo, outubro 22, 2017

NOSSA SENHORA VIRGEM DO SILÊNCIO

Mãe querida ensina-me silenciar quando é preciso, ensina calar quando for necessário, ensina quietar o coração para escutar Jesus teu divino Filho.
Nossa Senhora a Virgem do Silêncio é exemplo para todos nós. A nossa sociedade vive numa correria imensa, não temos tempo, não temos calma, não temos tolerância, não temos silêncio interior. Muitas vezes tomas decisões erradas, fazemos escolhas erradas e seguimos caminhos errados pelo simples fato de não saber silenciar para conversar com Deus. Vamos silenciar nossos corações para escutar a Voz do Senhor. Para dar atenção a Sua divina Palavra e assim podermos caminhar segundo a vontade do Pai. Nossa Senhora Virgem do silencio, rogai por nós e por nossas famílias.Amém.

ORAÇÃO DO ANGELUS



NOSSA SENHORA, ROGAI POR NÓS!

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Oração do Abandono (Charles de Foucauld)

Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criastes,
                                        Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és…
Meu Pai!


Fonte: Pe. Inácio Jose do Vale Vale
“Fazer-se todo para todos para tudo dar a Jesus”

É outra característica que deve distinguir a nossa vida. Uma vida que, como a de Jesus Cristo, se torna dádiva para bem de todos os homens, especialmente dos pobres com que Jesus se identificou (cfr. Mt 25, 31-46). Fomos chamados, até mesmo à luz do testemunho e doutrina de Charles de Foucauld, a revalorizar a nossa presença missionária na fraqueza e na eficácia evangélica dos meios pobres. «Os meios de que Ele (Jesus) se serviu no presépio, em Nazaré, na cruz, são: pobreza, abjecção, humilhação, abandono, perseguição, sofrimento e cruz. Eis as nossas armas, as mesmas do Esposo divino, que nos pede para deixarmos continuar em nós a sua vida, ele o único amante, o único esposo, o único Salvador e até mesmo a única Sabedoria e única Verdade…».



“Tornar-se uma Maria viva e operante”

«Eu faço o propósito de guardar em mim a vontade de trabalhar para me transformar em Maria para me tornar uma outra Maria vivente e operante».


Também o nosso modo de viver e trabalhar no meio do povo deve encontrar na experiência mariana de Charles de Foucauld mais um empurrão para incarnar aquele estilo de consolação “materno” e “missionário” que aprendemos com o nosso Beato Fundador.
Evangelização libertadora

«Quem pretender viver segundo a espiritualidade de Nazaré deverá estar consciente de que ela é a base da sua existência, quer se encontre no deserto quer na missão apostólica. Quer dizer que não pode haver apostolado sem Nazaré nem deserto sem Nazaré, nem Nazaré sem deserto nem apostolado».

Para que se dê uma inserção em qualquer lugar da terra, Charles acredita que o cristão deverá partir sempre do modo de agir de Deus, tal como aparece nos Evangelhos, e acolher e apreciar tudo o que de bom e peculiar existe em cada povo e cultura.



Um santo à nossa medida

“Jesus, só Jesus, Jesus em tudo, Jesus sempre”.

É convicção profunda do beato Charles de Foucauld que Jesus Cristo deve estar no centro da nossa vida para que possamos ter gosto em conhecê-lo, deixar-nos seduzir por ele, segui-lo e imitá-lo, levar a nossa cruz atrás dele. Desta forma, permitimos-lhe que nos diga a verdade a respeito da nossa vida, dos nossos desejos, dos nossos projetos e da nossa história. E isto tem de acontecer mesmo à custa do martírio, que ele não excluía: «Pensa que terás de morrer mártir, despojado de tudo, estendido por terra, nu, irreconhecível, coberto de sangue e feridas, violenta e dolorosamente assassinado…e deves desejar que seja hoje». Assim foi com ele, que morreu “violentamente e dolorosamente assassinado” tal como sempre tinha desejado, para se configurar com Cristo até na morte.



“Ser caridosos, mansos, humildes com todos: é isto que se aprende de Jesus”.

A exemplo de Charles de Foucauld, também nós somos chamados a viver um novo modo de ser Igreja, sacramento de salvação para a humanidade. Na fraternidade evangélica, antes de mais, que não é apenas uma fraternidade reunida no amor à volta de Jesus e com Jesus, mas uma fraternidade que faz da caridade, tanto por dentro como por fora, o mandamento supremo até “fazer da salvação do próximo, bem como da salvação pessoal, a grande tarefa da vida”.

Este ideal só é atingível se formos capazes de “ver um irmão em cada ser humano”. Se vivermos superficialmente, só acolhemos o outro superficialmente. Se vivermos em profundidade, que é onde Deus habita, acolheremos o outro com profundidade, ou seja, como irmão e filho do mesmo Pai.

Somos chamados a viver uma vida comunitária que saiba apreciar e valorizar a vida ordinária, diária, o lugar onde realizaremos santidade. Uma santidade que se manifesta na comunhão profunda com Deus, no trabalho e na proximidade com as pessoas para tornarmos a nossa vida mais semelhante à de Jesus nos trinta anos que passou em Nazaré. Ele ensina-nos a não fugir ao aspecto quotidiano e ordinário da nossa existência, à procura de experiências extraordinárias. Só se soubermos viver de maneira extraordinária e com amor o “ordinário” é que conseguiremos que os nossos relacionamentos se tornem cada vez mais justos, mais verdadeiros, mais fraternos e mais ricos em humanidade e ternura para com os outros.



“Ler e reler incessantemente o Santo Evangelho”

O Beato Charles de Foucauld converteu-se a Deus através do Evangelho. A procura vocacional e a sua vida espiritual como um todo desenrolaram-se até à morte sob o signo do Evangelho meditado, ruminado, assimilado e vivido. Nutria um grande amor pelo Evangelho que via não como um estudo de normas e leis, mas como encontro com “o esposo, o namorado, o bem-amado”, para assim lhe poder “agradar, servir, glorificar, consolar, como deseja que tudo seja feito” A vida de comunidade e o caminho do discipulado, nas suas várias modalidades e critérios, juízos e valores, devem passar pela peneira da Palavra. «Ler e reler incessantemente o Santo Evangelho para ter sempre diante da mente as ações, as palavras, os pensamentos de Jesus para poder pensar, falar e agir como Jesus, seguir os exemplos e os ensinamentos de Jesus e não os exemplos e os modos de fazer do mundo, em que recaímos tão rapidamente mal afastamos os nossos olhos do divino Modelo».


Na vida de qualquer comunidade missionária, a primazia do Evangelho deve assemelhar-se à semente que germina e produz fruto no escondimento e no silêncio, para depois de tornar alimento abundante para todos aqueles que têm fome.
Amor à Igreja

«Apego inviolável à Igreja, que é Esposa de Jesus, em que ele vive. Ele é a sua alma, ama-a como sua esposa […]. Apego a tudo o que dela vem, das suas instituições, dos seus ritos, dos seus ministros […]. Apego ao Santo Padre, seu chefe e representante. Rezarei muitíssimo pelo Santo Padre, pelas suas intenções […]. Quanto mais se ama a Igreja, tanto mais possui o Espírito Santo que a anima. Quanto mais se ama a Igreja, tanto mais se ama Aquele de que ela é corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo».



Obediência ao Diretor Espiritual

«A escolha do diretor espiritual tem uma importância vital porque tal for o mestre, tal será o discípulo. Deve ser uma pessoa devota, prudente, instruída e perita. Uma vez feita essa escolha depois de ter rezado ardentemente a Deus, devemos confidenciar-lhe a nossa vida, pedir-lhe conselho e ser obedientes».

O Beato Charles de Foucauld teve sempre um relacionamento profundo e fiel com o seu diretor espiritual – como a de filho em relação ao pai. Quando ele morreu, escreveu a um amigo dizendo-lhe que o seu Padre Espiritual fora um enxerto paciente do amor de Jesus no mais íntimo do seu ser.



Oração e fecundidade contemplativa

«Quem desejar viver segundo a espiritualidade de Nazaré deve integrar-se no projeto pastoral da Igreja local, procurando tornar-se útil segundo a sua vocação, para além de ser solidário sobretudo com aqueles que se encontram nos lugares mais difíceis de missão e de colaboração fraterna».

O Charles estava convencido de que há um tipo de fecundidade que não depende da ação: e é aquela que possui espírito contemplativo, que procura viver o espírito de Nazaré, a realidade concreta até ao fundo, no momento atual, que dá importância aos relacionamentos fraternos e de amizade, bem como à gratuidade do dom.


Ele mesmo fazia experiência contínua disso vivendo “a vida de Nazaré” com os nómadas mais isolados, entre os mais pobres de Beni-Abbés. Em 1911 estabeleceu-se em Asekrem por se tratar de um lugar de passagem das caravanas, que assim lhe permite cultivar relacionamentos com os Tuaregues e estabelecer uma profunda amizade com eles.
Imitação do “nosso muito amado Senhor Jesus”

«Quem quiser viver segundo a espiritualidade de Nazaré terá como regra perguntar-se a todo o momento sobre que pensaria, diria e faria Jesus se estivesse no seu lugar, e fazê-lo. Esforçar-se-á continuamente por se tornar cada vez mais semelhante ao Nosso Senhor Jesus tomando como modelo a sua vida de Nazaré, que nos serve de exemplo para todas as situações». O beato Charles de Foucauld, desde que se converteu, recebeu a graça duma profunda amizade com Cristo, a pontos de não ter senão um desejo: o de ser como Ele. É ele próprio quem o diz numa sua meditação, cinco meses antes da sua morte: «Ficar sempre em último lugar: “Quando vos convidarem a um banquete, sentai-vos sempre no último lugar”. Foi isto que Ele fez, ao participar no banquete da vida, e fê-lo até à morte».



Adoração eucarística

A Eucaristia, que marcou a sua vida desde o momento da conversão, sempre permaneceu como centro da sua oração. Passava longas horas em adoração diante da Presença eucarística, na companhia do seu “muito amado irmão e Senhor Jesus”. Pouco a pouco, diante da Eucaristia, foi amadurecendo na sua vocação sacerdotal, para oferecer este “divino banquete…aos estropiados, aos cegos e aos pobres, quer dizer, às almas que não têm sacerdotes”. Construiu em Beni-Abbés uma capela e decorou-a ele próprio, desenhando na tela um Cristo que abre os braços a receber, abraçar e chamar todos os homens e a dar-se a eles. É naquele sítio que ele passa longas horas, do dia e da noite, em adoração ou em meditação. Vive com ele na sua habitação e mantém com Ele um diálogo contínuo de amigo para amigo, um diálogo que continua ao longo da noite ou nas viagens pelo deserto.



Opção preferencial pelos pobres

«A opção pelos mais pobres será a tarefa da minha vida. Envidarei todos os esforços sobretudo pela conversão daqueles que são espiritualmente mais pobres, isolados, cegos, as almas mais abandonadas, as mais doentes, as ovelhas mais desesperadas».

Quando em Beni-Abbés, poucos dias antes da sua chegada, se deu conta da miséria material e moral do lugar, decidiu que o seu primeiro trabalho seria “ajudar os escravos” que eram tratados com muita dureza pela população. O segundo trabalho seria acolher os viajantes pobres. Por fim, iria oferecer instrução escolar às crianças que ficavam sozinhas todo o dia.


Optar pelos pobres não é porém a mesma coisa que amar os pobres. Optar por eles equivale a viver no seu mundo e manifestar-lhes um amor crítico, solidário e empenhado. O Beato Charles de Foucauld estava convencido de que é preciso não apenas ter grande amor pelos pobres, mas sim ter um amor que parte dos pobres e estabelece com eles uma aliança estável. E assim, perante o seu confessor, fez voto de nada possuir para seu uso pessoal senão quanto um pobre operário também tivesse. E cultivava no coração o projeto de fundar uma nova Congregação com a finalidade de «viver o mais exatamente possível a vida de Nosso Senhor, vivendo unicamente do trabalho das próprias mãos […], não possuindo nada […]. Não formar senão apenas pequenos grupos […], e espalhar-se sobretudo por países não cristãos».