quinta-feira, fevereiro 09, 2012

De que tamanho é sua fé?


Postado por: homilia

fevereiro 9th, 2012 Jesus e os Seus discípulos estavam sob uma considerável pressão, pois a hostilidade dos judeus intensificava-se. Assim, o Mestre e os Seus seguidores retiraram-se para as fronteiras de Tiro e Sidônia e, não querendo que alguém soubesse disso, o Senhor entrou numa casa onde esperava encontrar alguma privacidade.
Mas, significativamente, Jesus não pode ficar escondido, porque a Sua mensagem era demasiado maravilhosa e os Seus feitos demasiado poderosos para serem ocultados.
Trata-se do Sumo Bem personalizado em Jesus, por isso, não se pode esconder seja a quem for. Sua fama precedia-O aonde quer que Ele fosse.
Dentro dessa visão, uma mulher com o coração despedaçado O procura e O descobre. Ela era de origem cananeia, isto é, tinha raízes pagãs. A mulher estava extremamente aflita devido ao fato de sua filha estar possuída por um demônio que lamentavelmente a atormentava.
Tendo em vista o pedido que queria fazer, esta mãe ansiosa seguiu Cristo e os que O acompanhavam, tendo–Lhe rogado que tivesse compaixão dela e curasse a sua filha. Muitos pensam que o Senhor a tratou de uma forma descuidada, quase rudemente. No entanto, esse ponto de vista não tem qualquer fundamento.
Uma análise mais cuidadosa revela que Cristo conhecia a qualidade da alma dessa mulher e Ele a desafiou a amadurecer. De um modo maravilhoso, o Mestre colocou vários obstáculos no caminho da cananeia. E cada um destes obstáculos ela superou com uma fé radiante. Finalmente, Jesus exclamou: “Ó mulher, grande é a tua fé!” e Ele curou a sua filha sem nem sequer ter colocado os olhos sobre a criança. Que qualidades caracterizavam a fé dessa mulher, a ponto de receber tão grande elogio por parte do Salvador?
Ela, embora com antecedentes pagãos, tinha obviamente conhecimento em relação ao Filho de Deus. Isso é evidenciado pelo fato de ela tratar Jesus como “Senhor, filho de Davi”.
Onde teria ela aprendido sobre o Filho de Deus? Teria ela ouvido alguém falar sobre Ele? Teria ela viajado para a Galileia, estando presente entre as multidões que O seguiam? Essas perguntas devem permanecer sem resposta. O fato é que ela acreditou.
Jesus ensinou em uma ocasião: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.”. As formas verbais denotam ação contínua, persistência. Essa senhora encantadora entendeu bem esse princípio, tanto que a sua fé era da mais tenaz.
Conforme sugerido anteriormente, com a intenção de aumentar e testar a sua fé, o Senhor colocou pequenas barreiras no caminho dessa mulher, mas ela as superou uma a uma. Isso é uma evidência clara da percepção divina de Cristo, que penetrava através da essência da alma dessa mulher. Ela era uma pessoa forte, mas este encontro com o Filho de Deus a tornaria ainda mais forte.
Os discípulos sugeriram que Cristo concedesse apressadamente o pedido da mulher para que ela os deixasse em paz. Com certeza, essa foi a intenção do pedido feito pelos discípulos. E isso está claramente implícito na natureza da resposta dada pelo Senhor. Jesus respondeu que Ele havia sido enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel. E isso excluía essa mulher gentia. Mas ela não desistiu!
Cristo disse-lhe: “Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. Muitos se queixam de que nessa ocasião o Senhor usou uma linguagem ofensiva aos gentios, mas o termo grego utilizado para a palavra “cães” é diminutivo, significando um pequeno cachorrinho de estimação. A expressão não é áspera como poderia parecer.
Então, essa mulher perseverante “agarrou-se” ao significado da palavra “primeiro”. Sendo certo que ela reconheceu a prioridade dos judeus no plano do Deus, claramente ela detectou a inferência de que os gentios no futuro também receberiam a benevolência do Salvador, tendo pensado provavelmente: “Por que não agora?”
Desse modo, com um argumento brilhante, ela contrapôs: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”. Ela ficaria satisfeita com apenas uma migalha da mesa do seu Mestre. Que grande mulher! Ela agarrou-se firmemente à Misericórdia Divina, não sendo de admirar que o Salvador tivesse elogiado a sua grande fé!
Embora a mulher siro-fenícia tivesse rogado ao Senhor dizendo: “Tem compaixão de mim”, de fato, o pedido foi para a sua filha. A sua paixão estava tão dirigida para a sua filhinha que ela colocou de lado quaisquer necessidades pessoais e sentimento ede orgulho e implorou pelo bem-estar da sua criança aflita. A história de um espírito tão disposto ao sacrifício é deveras refrescante nestes dias, quando o abuso infantil é um drama tão comum.
Essa mulher entendeu bem o conceito de que uma fé sem obras está morta. Embora não lhe tivessem pedido para executar nenhum ato específico de obediência, quando Cristo visitou a sua região, ela buscou-O, seguiu-O, adorou-O, apelou para Ele e argumentou com Ele. Se ela tivesse atuado segundo a premissa de que “contanto que acredite que isso seja assim, assim será”, a sua filha teria permanecido na mesma situação deplorável.
É uma grande verdade que, segundo o Novo Testamento, nenhuma pessoa foi alguma vez abençoada por causa da sua fé pessoal, sem que essa fé tivesse sido manifestada em ações.
Quão triste teria sido se esta estimável mulher tivesse raciocinado do seguinte modo: “Sou gentia, uma mera mulher sem nenhuma reputação. Quem sou eu para receber qualquer bênção deste importante Nazareno?” Tivesse sido esse o caso, ela não teria pedido e, por conseguinte, não teria recebido!
Essa mulher anônima deve inspirar a minha e a sua fé. A sua fé resoluta e destemida faz com que Jesus, por intermédio dela, diga também a mim e você neste dia: “Grande é a tua fé!”
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

comentário

Amados Irmãos e Irmãs Católicos, não se afligem com estas acusações falsas e sem noção de quem não tem o fazer a não ser ter inveja do povo de Deus, perseguir o povo de Deus. o Vaticano não é corrupto, nunca foi e nunca será. Agora quem quer falar mal da Igreja de Jesus Cristo que fale, a lingua do homem é felina e sempre desde os primordios foi assim até de Jesus Cristo, o Filho de Deus, falaram mal, imagine se de nós mortais não vão falar. A Igreja fundada por Cristo, não vai perecer, venha o que vier, Jesus mesmo disse que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, perseguida ou não a Igreja vive e reina pois Deus é seu fundador. Por isso a Igreja é Santa e pecadora. Santa pois seu fundador é o Santo dos Santos, o Rei dos Reis Nosso Senhor Jesus Cristo e pecadora pois nós somos pecadores, mas o Espirito Santo de Deus sempre quando nós erramos Ele vem nos ajudar a voltar, a reconhnecer o nosso erro e mudar, melhorar. Portanto meus Amados(as), fiquemos tranquilos, pois Deus nãodeixará sua Igreja perecer. um abraço com carinho e com a benção de Deus e a intercessão de Maria Mãe de Deus e nossa. Amém

Vaticano rejeita acusações de corrupção

Vaticano rejeita acusações de corrupção


Cidade do Vaticano, 06 fev  – Os responsáveis pelo Governatorato da Cidade do Vaticano rejeitaram neste sábado as acusações de corrupção e má gestão do Estado, falando em suspeitas “infundadas”.
 Em comunicado, o emérito e o atual presidente desta instituição, bem como o seu secretário e subsecretário reagiam com “amargura” à publicação, nos meios de comunicação social de duas cartas que dirigidas ao Papa pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, secretário-geral do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano entre julho de 2009 e outubro de 2011, quando em que foi nomeado núncio [embaixador] nos EUA.
"Estas alegações são fruto de julgamentos errados ou baseados em conjeturas sem fundamento", pode ler-se na nota oficial, assinada pelo card. Giovanni Lajolo, presidente emérito, e o arcebispo D. Giuseppe Bertello, atual responsável máximo pelo Governatorato, às críticas ao que chamam de “jornalismo pouco sério”.
A presidência do Governatorato exprime “plena confiança” nos membros do comitê de finanças e gestão, bem como nas várias direções e colaboradores, qualificando como “infundadas” as suspeitas e acusações recentemente lançadas. Segundo estes responsáveis, as afirmações contidas nas missivas “não podem deixar de dar a impressão”, que consideram errada, de que o Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, “ao invés de ser um instrumento de governabilidade responsável, é uma entidade não confiável, presa a forças obscuras".
Após admitir “perdas relevantes” por causa da crise financeira internacional, o comunicado diz que a gestão do Vaticano passou a ter resultados positivos em 2010, em larga medida, “pelos excelentes resultados” dos seus Museus. No sétimo e último ponto do documento, todo o Governatorato reafirma uma “firme vontade comum de continuar a empregar todas as forças ao serviço do Sumo Pontífice, com total fidelidade e integridade”.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Ainda veremos o fim ao aborto nos EUA, diz Eduardo Verástegui

Ainda veremos o fim ao aborto nos EUA, diz Eduardo Verástegui


Denver, Colorado, 05 fev - O famoso ator, produtor e ativista pró-vida mexicano, Eduardo Verástegui afirmou que "ainda veremos a regeneração e o fim do aborto neste país" (Estados Unidos), em uma recente palestra em Denver, Colorado.
No evento realizado no Centro Gravidez Lighthouse, Verástegui, que voltou recentemente à fé católica, após uma vida de excessos no show business, se referiu à abertura do Medical Center, em Guadalupe Los Angeles, que ele mesmo ajudou a fundar, como um "oásis de vida", dado que se encontra perto de 10 clínicas de aborto. Sobre seu trabalho como ativista pró-vida, o também produtor e estrela do filme "Bella", explicou que o trabalho desse lugar é "salvar o mais importante e aquilo que Deus mais ama que é a vida humana."
"A coisa mais impressionante é que ao entrar no centro (as grávidas) já não se sentem sozinhas, porque existem muitos voluntários, muitas pessoas que estão lá para apoiá-las", acrescentou Verástegui também se alegrou muito quando soube que o Centro Gravidez Lighthouse procura abrir um centro semelhante em Los Angeles, perto da segunda maior clínica de aborto Planned Parenthood dos Estados Unidos. "Eu me emociono muito por sabê-lo porque eles estão fazendo aqui o mesmo que nós fazemos.
Realmente é a melhor maneira de derrotar esta cultura da morte e transformá-la em uma cultura da vida", disse ele. Eduardo Verástegui também se referiu ao trabalho do Metanoia Films, que fundou com dois amigos: Leo Severino e Alejandro Monteverde, que também se converteram logo após de vários anos na mídia. Metanoia é uma palavra grega que significa "mudança de mente" ou "conversão".
Além de Bella, o plano para filmar o curta-metragem "Little Boy", que "visa incentivar os jovens a não apenas se divertir, mas viver de acordo com a ´lista´" (das obras de mi sericórdia). Verástegui também mostrou seu filme "Crescendo", que conta a história de uma mãe lutando com a idéia de abortar seu filho. O filme estará em breve disponível na Internet.
SIR/ACI, 05/02/2012

Papa no Ângelus: "fé em quê?"

Papa no Ângelus: "fé em quê?"


Cidade do Vaticano, 05 fev - É a fé no amor de Deus que vence radicalmente o Mal – sublinhou Bento XVI, ao meio-dia, na Praça de São Pedro, comentando o Evangelho deste domingo, que mostra Jesus curando os doentes.
“Os quatro Evangelhos concordam em atestar que a libertação de doenças e enfermidades de todo o gênero constitui, juntamente com a pregação, a principal atividade de Jesus na sua vida pública”. “De fato – fez notar o Papa – as doenças são um sinal da ação do Mal no mundo e no homem, ao passo que as curas demonstram que o Reino de Deus está próximo.
“Jesus veio derrotar o Mal pela raiz, e as curas são uma antecipação da sua vitória, alcançada com a sua Morte e Ressurreição”. A doença é uma condição tipicamente humana, em que fazemos uma forte experiência de não sermos auto-suficientes, mas sim dependent es dos outros – observou ainda Bento XVI. “Neste sentido poderíamos dizer, com um paradoxo, que a doença pode ser um momento salutar em que se pode experimentar a atenção dos outros e prestar atenção aos outros!” E, contudo – reconheceu o Papa – (a doença) permanece sempre uma provação, que pode até tornar-se longa e difícil.
“E quando a cura não acontece e se prolongam os sofrimentos, podemos ficar como que esmagados, isolados, e então a nossa existência deprime-se e desumaniza-se. Como reagir a este ataque do Mal? Naturalmente, com os tratamentos apropriados – e nestas décadas a medicina fez passos de gigante – mas a Palavra de Deus ensina-nos que há uma atitude decisiva e de fundo para enfrentar a doença: a fé. Repete-o sempre Jesus às pessoas que cura: A tua fé te salvou. Mesmo perante a morte, a fé pode tornar possível o que humanamente é impossível.
Mas fé em quê? No amor de Deus. Eis a verdadeira resposta, que derrota radicalm ente o Mal”. Como Jesus enfrentar o Maligno com a força do amor que lhe vinha do Pai, assim também nós podemos enfrentar e vencer a prova da doença, mantendo o coração imerso no amor de Deus. Em todo o caso – advertiu o Papa – “na doença, todos temos necessidade de calor humano: para conformar uma pessoa doente, mais do que as palavras, o que conta é a proximidade sincera”.
Recordando, na saudação aos peregrinos de língua francesa, que se celebra sábado próximo, 11 de Fevereiro, a festa de Nossa Senhora de Lourdes e o Dia Mundial dos Doentes, Bento XVI exortou à oração nas situações de sofrimento: “Com todas e todos os que se encontram confrontados com a doença, peçamos a Deus que nos dê a graça do abandono e da paciência confiante! Que com a ajuda de Nossa Senhora de Lourdes e de Santa Bernardete possamos descobrir que só em Deus está a verdadeira felicidade”.
SIR, 05/02/2012

Padre jesuíta comenta a luta do Papa Bento XVI contra a pedofilia

Padre jesuíta comenta a luta do Papa Bento XVI contra a pedofilia


Cidade do Vaticano, 05 fev - O porta-voz do Vaticano, padre jesuíta Federico Lombardi, afirmou em editorial que o Pontificado do papa Bento XVI se destaca pela luta contra os abusos sexuais cometidos por sacerdotes e pela luta pela transparência nas atividades financeiras da Igreja Católica.
O texto, publicado na revista Octava Dies, do Centro Televisivo Vaticano, afirma que "a linha traçada pelo Papa e o compromisso desenvolvido em diversas Igrejas locais duramente provadas pelos escândalos [de abusos] colocaram em movimento uma série de iniciativas".
Entre as medidas, Lombardi cita iniciativas de "ouvir as vítimas", de "intervir com ajudas", de "aprofundamento da causa", de "consciência", "prevenção" e "punição",  "pelas quais se pode dizer com confiança que estamos no caminho certo", avaliou.
O porta-voz ainda recordou que será o lançado um centro intern acional de acolhida das vítimas de abusos sexuais cometidos por padres. No campo da transparência econômico-financeira, Lombardi atestou que "a Santa Sé está se empenhando para inserir suas instituições no sistema internacional de controles da atividade econômica para a luta contra a lavagem, o crime organizado e o terrorismo".
Ele atestou que "muitas vezes as instituições econômicas vaticanas, em particular o IOR [Instituto para Obras da Religião, conhecido como Banco do Vaticano], foram acusadas injustamente" e recordou que, recentemente, "um tribunal dos Estados Unidos" declarou ser improcedente "o terceiro dos três casos apresentados contra o IOR nos últimos anos".

domingo, fevereiro 05, 2012

liturgia deste domingo

O PODER SOBRE A DOENÇA

1ª leitura: (Jó 7,1-4.6-7) A vida, um amontoado de miséria – Jó foi fortemente provado por Deus. Seus amigos não o conseguem consolar (2,11). Ensinam-lhe a ver no seu sofrimento o castigo de Deus. Mas, para Jó, o sofrimento permanece um mistério. Com amargura, considera sua vida, e só consegue pedir que a aflição não seja forte demais e Deus lhe dê um pouco de sossego. – O A.T. não tinha resposta para o problema do sofrimento. A resposta está em Jesus Cristo, que assume o sofrimento até o fim (evangelho). * 7,1-4 cf. Eclo 40,1-2; 30,17; 40,5; Dt 28,67 * 7,6-7 cf. Sl 39[38],5-6; Is 38,12; Sl 78[77],39; 89[88],48.
2ª leitura: (1Cor 9,15-19.22-23) “Ai de mim, se eu não evangelizar” – 1Cor 8–10 forma uma unidade em redor da questão se o cristão pode sempre fazer o que, em si, não seria um mal: p. ex., comer carne dos banquetes idolátricos (já que o cristão não acredita nos ídolos). Resposta: a norma é a caridade; se tal comportamento causar a queda do “fraco na fé” (que ainda não se libertou destas crenças), deve ser evitado. Argumento: eu também não faço tudo o que teria o direito de fazer: p. ex., receber gratificação por meu apostolado. Já que tal gratificação poderia ser mal interpretada, prefiro ganhar meu pão doutro modo. A gratificação de meu apostolado consiste no prazer de pregar o Evangelho de graça, pois o que importa é que ele penetre nos corações. * 9,16-17 cf. Jr 20,9; At 9,15-16; 22,14-15 * 9,19, cf. Mt 20,26-27.
Evangelho: (Mc 1,29-39) Jesus assume o sofrimento de todos – O “dia em Cafarnaum” (iniciado em 1,21; cf. dom. passado) continua, com gestos que falam de Deus. A sogra de Pedro é curada de uma febre (coisa perigosa, antigamente) e transformada numa pessoa que, no seu servir, mostra sua fé. Ao anoitecer, no fim do sábado, quando o povo começa a se movimentar, Jesus cura os doentes e exorciza os demônios, que o reconhecem como o Enviado de Deus. Na manhã seguinte, retira-se para orar. A partir de seu encontro com Deus, revela, aos discípulos que vêm buscá-lo, que sua missão o levará a outros lugares, para evangelizar por palavras e gestos e assim realizar um início do Reino da misericórdia de Deus. * 1,29-31 cf. Mt 8,14-15; Lc 4,38-39 * 1,32-34 cf. Mt 8,16; Lc 4,40-41 * 1,35-39 cf. Lc 4,42-44; Mt 14,23; Lc 6,12; 9,28; Jo 13,3; 16,27-28.
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A vida é um “serviço de mercenário”, diz Jó (7,1; 1ª leitura). Como os bóia-frias, sempre leva a pior. Desperta cansado, e deitado não consegue descansar por causa das feridas. Que Deus dê um pouco de sossego... O A.T. não tem resposta para o sofrimento. Os amigos de Jó dizem que os justos são recompensados e os ímpios, castigados. Mas Jó protesta: ele não é um ímpio. A teoria da prosperidade dos justos não se verifica na realidade (21,5-6). Menos ainda convence-o o pedante discurso de Eliú, tratando de mostrar o caráter pedagógico do sofrimento (cap. 32–37). Os amigos de Jó não resolvem nada. Vendem conselhos, mas não se compadecem. Só colocam pimenta nas feridas.
Por outro lado, mesmo amaldiçoando seu próprio nascimento, Jó não amaldiçoa Deus, pelo contrário, reconhece e louva sua sabedoria e suas obras na criação: o abismo de seu sofrimento pessoal não lhe fecha os olhos para a grandeza de Deus! E é exatamente por este lado que entrará sossego na sua existência. Pois Deus se revelará a ele, tornar-se-á presente em seu sofrimento – ao contrário de seus amigos sabichões –, e esta experiência do mistério de Deus fará Jó entrar em si, no silêncio (42,1-6).
Também Jesus, no N.T., nunca apresenta uma explicação teórica do sofrimento. Neste sentido, concorda com os existencialistas: sofrer pertence mesmo à “condição humana”. Não há explicação. Mas ele traz uma solução: assume o sofrimento. No livro de Jó, o mistério de Deus se aproxima do homem. Em Jesus Cristo, como Mc o apresenta, o mistério se revela, gradativamente, sob o véu do “segredo” do Filho. No início, Jesus assume o sofrimento, curando-o (evangelho). Isto, porém, é apenas um sinal pois são poucos os que Jesus curou). No fim, ele assumirá o sofrimento, sofrendo-o. Aí, sua compaixão se torna realmente universal. Supera de longe o que aparece no livro de Jó. Se este nos mostra que Deus está presente onde o homem sofre (e isto já é uma grande consolação para Jó), Jesus nos mostra que Deus conhece o sofrimento do homem por dentro.
Mas, por enquanto, ele mostra apenas sinais da aproximação de Deus ao homem sofredor. Sinais, feitos com a “autoridade” que já comentamos no domingo passado. Jesus pegando na mão da sogra de Pedro, para fazê-la levantar de sua febre. Ao fim do dia, depois do repouso sabático, recebe uma multidão de gente para curá-los: novo sinal de “autoridade”. Inclusive, exorciza os endemoninhados, e os maus espíritos reconhecem seu adversário. Mas ele lhes proíbe desvendar seu mistério. Depois, retira-se, para se encontrar mais intensamente com o Pai; e quando os discípulos o vêm buscar para reassumir sua atividade em Cafarnaum, ele revela que a vontade de seu Pai é que vá às outras cidades também. Ele está inteiramente a serviço dos plenos poderes que o Pai lhe outorgou.
Essa plena disponibilidade aparece também na 2ª leitura, embora num contexto bem diferente. Trata-se da pretensa liberdade dos coríntios para fazerem tudo o que têm direito (p. ex. participar dos banquetes onde se serve carne sacrificada aos ídolos). Paulo não concorda: existe o aspecto objetivo (carne é carne e ídolos não existem) e o aspecto subjetivo (alguém, menos firme ou instruído na fé, pode comer as carnes idolátricas num espírito de superstição; 8,7). Portanto, diz Paulo, nem sempre devo fazer uso de meu direito. E coloca-se a si mesmo como exemplo: em vez de usar de seus direitos sociais, como sejam: levar consigo uma mulher cristã (9,5), ser dispensado de trabalho manual (9,6), receber salário pelo trabalho evangélico (9,14; cf. a “palavra do Senhor” a este respeito, Mt 10,10 e par.), Paulo anuncia o evangelho de graça, para que ninguém o suspeite de motivos ambíguos. Ora, essa atitude não é inspirada apenas por prudência, mas por paixão pelo evangelho: “Ai de mim, se eu não pregar o evangelho... Qual é meu salário? Pregar o evangelho gratuitamente, sem usar dos direitos que o evangelho me confere!” (9,17-18). Se tivermos em nós verdadeiro afeto pelo nosso irmão fraco na fé, desistiremos com prazer de algumas coisas que, em si, poderíamos fazer; e a própria gratuidade será a nossa recompensa, pois “tudo é graça”.
ASSUMINDO O SOFRIMENTO DE TODOS
As leituras de hoje estão interligadas por uma alusão quase imperceptível: enquanto Jó se enche de sofrimento até o anoitecer (1ª leitura), Jesus cura o sofrimento até o anoitecer (evangelho). O conjunto do evangelho mostra Jesus empenhando-se, sem se poupar, para curar os enfermos de Cafarnaum. E no dia seguinte, o poder de Deus, que ele sente agir em si, o impele para outras cidades – sem se deixar “privatizar” pelo povo de Cafarnaum. A paixão de Jesus é deixar fluir de si o poder benfazejo de Deus. Ele não pensa em si mesmo, não se protege, não se poupa. Ele assume, sem limites, o sofrimento do povo. Ele tem consciência de isso aí é sua missão: “Foi para isso que eu vim”. Ele não pode recusar a Deus esse serviço.
Nosso povo, muitas vezes, vê nas doenças e no sofrimento um castigo de Deus. Mas quando o enviado de Deus mesmo se esgota em aliviar as dores do povo, como essas doenças poderiam ser um castigo de Deus? Não serão sinal de outra coisa? Há muito sofrimento que não é castigo de quem sofre. Que é simplesmente condição humana, condição da criatura, porém, também ocasião para Deus manifestar seu amor ao ser humano. O evangelista João dirá que a doença é uma oportunidade para Deus manifestar sua glória (Jo 9,3; 11,4).
Por mais que o homem consiga dominar os problemas de saúde, não consegue excluir o sofrimento, pois esse tem outra fonte. No mais perfeito dos mundos – como o descreve um romance dos anos 1930 – no mundo sem doenças, os humanos sofrem pelo desamor, pela mútua manipulação, pela desconfiança, pela insignificância, pelo mal que o ser humano causa ao seu semelhante. Por isso, o relato bíblico do pecado atribui o sofrimento fundamentalmente ao pecado; porém, não ao pecado individual – o livro de Jó contesta com força tal atribuição (e também Jo 9,3, cf. acima) – mas ao pecado instalado na humanidade, o pecado das origens (Gn 3,15-19).
Que Jesus apaixonadamente se entrega à cura de todos os males, inclusive em outras cidades, é uma manifestação do Espírito de Deus, que está sobre Jesus, e que renova o mundo (cf. Sl 104[103],30). O evangelista Mateus (Mt 8,17) compreendeu isso muito bem, quando acrescentou ao texto de Mc 1,34 a citação de Is 53,4 (do Servo Sofredor): “Ele assumiu nossas dores e carregou nossas enfermidades”). Ora, se é pelo pecado do mundo que as dores se transformam num mal que oprime a alma, logo mais Jesus terá de se revelar como aquele que perdoa o pecado.
Também se hoje acontecem curas e outros sinais do amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus Cristo, é preciso que reconheçamos nisso os sinais do Reino que Jesus vem trazer presente.
(Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB  e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. É Colunista do Dom Total).